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Esfumato

Coco Mademoiselle

Casa
Chanel
Ano
2001
Perfumista
Jacques Polge
Concentração
EDP
Família
Amadeirada
Subfamília
Chipre / Musgo
Acorde
Chipre

Ficha e análise descrevem a Eau de Parfum original, de 2001. As variações (Intense, L'Eau Privée, Crush Absolu, entre outras) têm fichas próprias.

A casa não publica histórico de fórmula, e não há fonte que descreva reformulação. Pendência assumida.

Ilustração própria
Arquétipo AR01 · Flacon retangular

Laranja sobre rosa e jasmim transparentes, ancorados num patchouli em dose alta: o chipre refeito sem musgo, com o patchouli no lugar dele.

Notas

Coração

Casa
declarada pela própria marca
Especializada
de fonte especializada

Como cheira

A abertura é laranja, viva e luminosa, com bergamota ao lado. É um cítrico de casca, com amargor, que prepara o terreno sem durar muito.

O coração é rosa e jasmim, e a casa os descreve como um acorde transparente. A palavra é precisa: as flores estão ali, mas sem densidade, quase como luz atravessando pétalas. Não há o peso de um floral branco nem o pó de um floral clássico.

O que dá ao perfume o caráter é o patchouli, e ele chega cedo. A lista de ingredientes mostra o óleo de patchouli como o primeiro material natural nomeado, à frente de qualquer flor. É um patchouli limpo, terroso sem ser úmido, que segura o perfume do coração até o fim. O vetiver acrescenta secura; a baunilha e o almíscar dão uma maciez discreta no fundo.

O que muita gente descreve como "perfume de mulher moderna", "elegante", "cheiro de Chanel" é leitura nossa da imagem que o perfume ganhou, não dado olfativo. O que a composição entrega é cítrico e flores transparentes sobre patchouli.

Por que é referência

Primeira: é o chipre refeito sem musgo. O chipre clássico é bergamota sobre musgo de carvalho — o Mitsouko, neste guia. A lista de ingredientes de Coco Mademoiselle não traz musgo nenhum. No lugar dele, o patchouli faz o trabalho de fundo seco e terroso. As fichas do Mitsouko e do Miss Dior Blooming Bouquet mostram o resto dessa história: o musgo foi restringido pela regulação, e o chipre contemporâneo se reconstruiu em torno do patchouli. A própria Chanel hoje classifica Coco Mademoiselle como âmbar amadeirado, não como chipre.

Segunda: o patchouli em dose alta e limpo. O patchouli tradicional é escuro, úmido, de terra e de porão. Em Coco Mademoiselle ele aparece em posição altíssima na lista de ingredientes e, ainda assim, soa limpo e luminoso. É o que permite um perfume com tanto patchouli parecer leve: o material está lá, mas sem as facetas pesadas que o tornavam difícil.

Terceira: flores transparentes. A casa usa a palavra "transparente" para descrever o acorde de rosa e jasmim. A transparência não é ausência de flor: é flor em dose moderada, sem os materiais densos que dariam cremosidade. É o que deixa o patchouli audível através do coração.

Alerta de anosmia

Algumas pessoas não sentem certas matérias-primas. Se este perfume some em você em minutos enquanto outros o percebem, pode ser anosmia específica, e não fixação ruim.

Perfil nos seis eixos

DoçuraTemperaturaRegistroPresençaEstruturaÉpoca
  1. Doçura3 de 5
    SecoDoce
  2. Temperatura3 de 5
    FrescoQuente
  3. Registro2 de 5
    LimpoAnimálico
  4. Presença4 de 5
    DiscretoExpansivo
  5. Estrutura4 de 5
    LinearComplexo
  6. Época3 de 5
    ClássicoModerno

Comportamento

Longevidade
8 h
Projeção
Alta
Estação
Todas
Ocasião
Dia/Noite

Observação de uso

A laranja dura alguns minutos; as flores aparecem cedo e duram a primeira hora. Depois o patchouli assume e se mantém por muitas horas, com projeção alta.

Na roupa, o patchouli é o que persiste. Quem sente Coco Mademoiselle "terroso" no dia seguinte sente o fundo, não o perfume inteiro.

Exercício comparativo

  1. Coco Mademoiselle comparado com MitsoukoGuerlain

    Dois chipres separados por oitenta anos e por uma regulação. No Mitsouko, o fundo ainda é musgo — hoje musgo de árvore —, e o pêssego se apoia nele; no Coco Mademoiselle, não há musgo na lista, e o patchouli faz o trabalho de fundo seco. Cheirar em sequência mostra como uma família se reconstrói quando perde o seu material definidor.

Vizinhança

Subfamília

Chipre / Musgo

Contraste cítrico-musgoso. Seco, amargo, estruturado.

Outros perfumes nesta subfamília

Acorde

Chipre

Seco, amargo, elegante, terroso-aristocrático

Composição típica: Bergamota + Labdanum + Musgo de carvalho + Patchouli

Outros perfumes com este acorde

Família Amadeirada

Outras subfamílias

Método e procedência

Situação da ficha
Verificada em
Fonte das notas
Chanel — página oficial do produto (Eau de Parfum): laranja, acorde transparente de jasmim e rosa de maio, patchouli e vetiver; família âmbar amadeirado; lista de ingredientes extensa. Perfumista e ano por fonte especializada (Wikipedia).
Procedência por nota
  • Laranja doceCasa · Chanel — página oficial do produto (laranja); óleo de casca de laranja na lista de ingredientes ·
  • BergamotaCasa · Chanel — lista de ingredientes publicada (óleo de bergamota); convergente com listagem especializada ·
  • RosaCasa · Chanel — página oficial do produto (rosa de maio); óleo de rosa na lista de ingredientes ·
  • JasmimCasa · Chanel — página oficial do produto (jasmim); óleo de jasmim na lista de ingredientes ·
  • PatchouliCasa · Chanel — página oficial do produto (patchouli); primeiro óleo natural nomeado na lista de ingredientes ·
  • Almíscar brancoCasa · Chanel — lista de ingredientes publicada (macrolactona almiscarada); convergente com listagem especializada ·
  • VetiverCasa · Chanel — página oficial do produto (vetiver) ·
  • BaunilhaCasa · Chanel — lista de ingredientes publicada (vanilina); convergente com listagem especializada ·

Procedência e decisões de ficha

Ficha verificada em 17/10/2026. A Chanel declara, na página oficial da Eau de Parfum, a laranja, o acorde transparente de jasmim e rosa de maio, o patchouli e o vetiver, classifica o perfume como âmbar amadeirado e publica uma lista de ingredientes extensa. O perfumista, Jacques Polge, e o ano, 2001, vêm de fonte especializada (Wikipedia).

Lista de ingredientes. Confirma o patchouli em posição alta, a rosa e o jasmim (óleos nomeados) e promoveu a bergamota (óleo de bergamota), a baunilha (vanilina) e o almíscar branco (macrolactona almiscarada), todos convergentes com a listagem especializada. O Iso E Super também aparece em posição alta, mas não há fonte que o trate como nota legível aqui; fica registrado, não na ficha.

O que não está na lista: musgo. Ao contrário do Mitsouko, do Terre d'Hermès e do Bleu de Chanel, a lista de Coco Mademoiselle não traz nenhum extrato de musgo. É o dado que sustenta o primeiro argumento do bloco E5.

Classificação. O guia mantém Coco Mademoiselle em chipre; a casa o classifica como âmbar amadeirado. Decisão de taxonomia aberta a revisão.

Pendência assumida: histórico de fórmula. Não encontramos registro de reformulação. Sem fonte, não afirmamos.

Referência de estudo. Este guia não tem vínculo com as casas de perfume mencionadas.