Black Opium
- Casa
- Yves Saint Laurent
- Ano
- 2014
- Perfumista
- Nathalie Lorson, Marie Salamagne, Olivier Cresp, Honorine Blanc
- Concentração
- EDP
- Família
- Âmbar
- Subfamília
- Gourmand
- Acorde
- Gourmand
Ficha e análise descrevem a Eau de Parfum original, de 2014. As variações da linha (Le Parfum, Extreme, Illicit Green, Neon, entre outras) têm fichas próprias e não são esta composição em outra concentração.
A casa não publica histórico de fórmula. A pirâmide divulgada hoje difere da de lançamento (saíram pimenta rosa e alcaçuz; entraram tangerina verde, canela e ambrox), sem fonte que diga se a mudança é de fórmula ou só de comunicação. Pendência assumida.
Arquétipo AR01 · Flacon retangular
Café torrado e flores brancas sobre baunilha: o amargor como freio da doçura, num gourmand que se lê pelo contraste, e não pelo acúmulo.
Notas
Coração
- JasmimCasa
- Flor de laranjeiraCasa
- CanelaCasa
- Heliotrópio / amêndoaCasa
Fundo
- CaféCasa
- BaunilhaCasa
- PatchouliCasa
- Iso E SuperCasa
- CedroCasa
- Almíscar brancoCasa
- AmbroxanCasa
- Casa
- declarada pela própria marca
- Especializada
- de fonte especializada
Como cheira
A abertura é suculenta e curta. Pera e tangerina dão açúcar com água, sem peso, e somem rápido — não são o assunto, são a porta. O que interessa já está chegando por baixo: um amargor torrado, seco, quase de borra, que aparece cedo demais para ser lido como "fundo" e cedo o bastante para mudar tudo o que vem depois.
Esse amargor é o café, e a casa o declara como acorde, não como extrato. A distinção importa. Um acorde de café é uma reconstrução: tostado, levemente queimado, com uma ponta ácida, montado para soar como café sem carregar o peso oleoso de um material natural. É ele que segura o perfume. Sem o café, Black Opium seria uma baunilha floral entre dezenas; com ele, a doçura passa a ter contra o que se medir.
O coração é de flor branca — jasmim e flor de laranjeira — e o papel delas é luz, não opulência. Estão ali para abrir o espaço entre o amargo de cima e o doce de baixo, e por isso nunca ficam cremosas nem indólicas. Há uma ponta de canela, declarada e discreta, que aquece sem se anunciar.
Entre o café e a baunilha passa um fio de amêndoa amarga, a nota menos citada e uma das mais úteis da composição. O benzaldeído que a casa declara na lista de ingredientes é a molécula da amêndoa e do marzipã, e faz a ponte entre o tostado e o açucarado: é o que impede o café de parecer colado sobre a baunilha.
O fundo é baunilha, e é muita baunilha — mas não é um fundo denso. Patchouli e cedro dão alguma terra e alguma madeira; o resto é volume transparente, feito de Iso E Super, almíscar branco e ambrox. Esses três não têm cheiro de "coisa": têm cheiro de ar ao redor da coisa. É por isso que a baunilha de Black Opium se espalha em vez de pesar, e é também por isso que parte das pessoas sente o perfume forte num momento e quase nada no seguinte — os três estão entre os materiais a que mais gente é parcial ou totalmente anósmica.
O que quase todo mundo descreve na primeira vez — café com leite adoçado, doce de padaria, "cheiro de cafeteria" — é leitura nossa, não dado de fábrica. Não existe nota de leite nem de açúcar nesta ficha. O efeito vem do encontro do acorde de café com a baunilha e o almíscar, e é exatamente o tipo de impressão que uma lista de notas não consegue prever.
Por que é referência
Primeira: o café aqui não é sabor, é freio. O café já estava na perfumaria antes de 2014 — A*Men, da Mugler, é de 1996. O que Black Opium fez foi usar o amargor do café como contrapeso estrutural de uma baunilha em dose alta. É o mesmo princípio que o Shalimar resolveu com a bergamota noventa anos antes: a doçura não se controla tirando açúcar, controla-se pondo algo ao lado dela que mantenha o conjunto legível. Tire o café e a baunilha não fica menos doce; fica sem forma. Quem aprende a ouvir esse mecanismo aqui passa a reconhecê-lo em boa parte dos gourmands que vieram depois, que trocaram o café por cacau, por chá preto, por sal — e mantiveram a função.
Segunda: a doçura projeta porque o fundo é feito de ar. A casa publica a lista de ingredientes do produto, e o primeiro material nomeado depois de álcool, fragrância e água é o Iso E Super — à frente da vanilina, à frente de qualquer flor. Numa lista ordenada por concentração, isso indica dose alta de um material que não cheira a nada específico: dá volume, difusão, sensação de madeira veludosa ao longe. Esse é o dado que explica o comportamento do perfume. Os âmbares e os doces mais antigos pesavam porque o fundo era resina e bálsamo; Black Opium é doce e expansivo ao mesmo tempo porque o fundo é transparente. O peso ficou na baunilha; o alcance ficou com os sintéticos de volume.
Terceira: o nome é uma herança, o cheiro é uma ruptura. Black Opium herda o nome e a silhueta do frasco do Opium de 1977, e quase nada do seu cheiro. O Opium original é um âmbar especiado, resinoso, de cravo e bálsamos; Black Opium é um gourmand floral de café sobre baunilha. A continuidade é de marca, não de construção. Isso não é crítica, é aviso de leitura: quem chega a Black Opium esperando entender o Opium vai aprender outra coisa — e a comparação útil, para quem quer ver a família âmbar por dentro, está no Shalimar, não no antecessor de nome.
Alerta de anosmia
Algumas pessoas não sentem certas matérias-primas. Se este perfume some em você em minutos enquanto outros o percebem, pode ser anosmia específica, e não fixação ruim.
- Almíscar branco (registro Casa)Anosmia específica em 5–30% das pessoas.
- Ambroxan (registro Casa)Não é doce — engana quem espera o “âmbar”.
- Iso E Super (registro Casa)Em quase tudo desde 1973. Anosmia parcial comum.
Perfil nos seis eixos
Comportamento
- Longevidade
- 8 h
- Projeção
- Alta
- Estação
- Outono/Inverno
- Ocasião
- Noite
Observação de uso
A primeira meia hora é a mais alta e a menos representativa: a fruta e o primeiro impacto do café dominam, e o rastro é largo. Depois o perfume assenta num par estável de café e baunilha que muda pouco por horas. A variação de percepção ao longo do dia vem mais dos materiais de volume, que vão e voltam para quem é parcialmente anósmico a eles, do que de uma evolução escrita na fórmula.
Na roupa, baunilha e almíscar persistem muito além do café, que é a parte mais volátil do fundo. Quem sentiu Black Opium "só doce" num casaco no dia seguinte sentiu o que sobra da composição, não a composição.
Exercício comparativo
Black Opium comparado com ShalimarGuerlain
Eixo de contrasteEstrutura (Linear → Complexo): Black Opium 2, Shalimar 5
A mesma baunilha como centro de gravidade em duas construções opostas: envolvida em cítrico, resina e pó, ou isolada sobre café e almíscar. Mostra que gourmand não é questão de matéria, é questão de quanto se põe em volta dela.
Black Opium comparado com La Vie Est BelleLancôme
Dois gourmands lançados com dois anos de distância resolvendo o mesmo problema — impedir que o doce empalague — com ferramentas opostas: a íris seca o pralinê num, o amargor torrado do café corta a baunilha no outro. Cheirar em sequência mostra que o freio da doçura pode ser frio ou amargo.
Black Opium comparado com Good GirlCarolina Herrera
A mesma dupla de claro e escuro — flor branca e fundo torrado — com a flor em papéis opostos. No Good Girl, a tuberosa é a protagonista posta sobre cacau e tonka; no Black Opium, o jasmim é a luz que separa o café da baunilha. Cheirar em sequência mostra que o mesmo par de materiais muda de sentido conforme quem ocupa o centro.
Vizinhança
Subfamília
Gourmand
Comestível: caramelo, café, chocolate, amêndoa.
Outros perfumes nesta subfamília
- La Vie Est Belle · Lancôme
Acorde
Gourmand
Comestível, açucarado, de sobremesa
Outros perfumes com este acorde
- Good Girl · Carolina Herrera
- La Vie Est Belle · Lancôme
- Olympéa · Paco Rabanne
Método e procedência
- Situação da ficha
- Verificada em
- Fonte das notas
- YSL — página oficial do produto (Eau de Parfum): composição em três protagonistas (café, acorde de flor branca de jasmim, baunilha) e lista de ingredientes publicada. Pirâmide completa em texto editorial da casa (yslbeauty.co.uk). Camada de apoio: revendedor (Lookfantastic) e listagens especializadas (Fragrantica, Wikipedia), que reproduzem a pirâmide de lançamento de 2014.
- Procedência por nota
- Flor de laranjeiraCasa · YSL — pirâmide publicada pela casa (pétalas de flor de laranjeira); antranilato de metila na lista de ingredientes ·
- CaféCasa · YSL — página oficial do produto e pirâmide publicada pela casa (acorde de café preto) ·
- BaunilhaCasa · YSL — página oficial do produto e pirâmide publicada pela casa; vanilina na lista de ingredientes ·
- PatchouliCasa · YSL — pirâmide publicada pela casa; óleo de patchouli na lista de ingredientes ·
- PeraCasa · YSL — pirâmide publicada pela casa (acorde de pera) ·
- MandarinaCasa · YSL — pirâmide publicada pela casa (tangerina verde) ·
- JasmimCasa · YSL — página oficial do produto (acorde de flor branca) e pirâmide publicada (jasmim sambac) ·
- CanelaCasa · YSL — pirâmide publicada pela casa (essência de canela) ·
- Heliotrópio / amêndoaCasa · YSL — lista de ingredientes publicada (benzaldeído); convergente com listagem especializada (amêndoa amarga) ·
- CedroCasa · YSL — lista de ingredientes publicada (cedro da Virgínia); convergente com revendedor e listagem especializada ·
- Iso E SuperCasa · YSL — lista de ingredientes publicada, primeiro material nomeado depois de álcool, fragrância e água ·
- Almíscar brancoCasa · YSL — texto editorial da casa (almíscar branco); macrolactona almiscarada na lista de ingredientes; convergente com revendedor ·
- AmbroxanCasa · YSL — pirâmide publicada pela casa (ambrox) ·
Procedência e decisões de ficha
Ficha verificada em 17/10/2026, com duas camadas de fonte primária da casa. A página oficial do produto descreve a composição em três protagonistas — café, um acorde de flor branca centrado no jasmim e baunilha — e traz a lista de ingredientes. A própria YSL publica, em texto editorial do seu site britânico, a pirâmide completa da Eau de Parfum: acorde de pera e tangerina verde no topo; pétalas de flor de laranjeira, jasmim sambac e essência de canela no coração; baunilha, acorde de café preto, patchouli e ambrox no fundo, com almíscar branco citado na descrição. A ficha segue essa pirâmide.
Critério usado com a lista de ingredientes. O mesmo do Shalimar: lista de ingredientes prova presença, não é lista de notas, e só promove material à ficha quando há também leitura convergente ou legibilidade olfativa clara. Entraram por esse caminho a amêndoa (benzaldeído, convergente com a amêndoa amarga das listagens especializadas), o cedro (óleo de cedro da Virgínia, convergente com revendedor e listagens especializadas) e o Iso E Super. Este último é o caso mais forte da ficha: não aparece em nenhuma pirâmide, mas ocupa na lista de ingredientes a posição que indica dose alta, e é legível como o volume veludoso e difuso do fundo — o que as listagens especializadas chamam de "madeira de cashmere".
Almíscar branco entrou aqui, diferente do Shalimar. No Shalimar, almíscar aparecia só em listagens especializadas, de forma genérica, e ficou de fora. Aqui a própria casa nomeia almíscar branco, o revendedor confirma, e a lista de ingredientes traz uma macrolactona almiscarada. É declaração, não inferência.
Perfumistas. A casa não credita os perfumistas na página do produto. A ficha registra os quatro nomes que as fontes especializadas atribuem de forma concordante — Nathalie Lorson, Marie Salamagne, Olivier Cresp e Honorine Blanc. A planilha creditava só a primeira.
O que ficou de fora, e por quê:
- Pimenta rosa e alcaçuz — constam das listagens especializadas, que reproduzem a pirâmide de lançamento de 2014. Não constam de nenhuma fonte atual da casa, e nenhum material da lista de ingredientes as sustenta de forma específica. Sem convergência com a casa, não entram.
- Sândalo, rosa e limão — presentes na lista de ingredientes (santalol, rose ketones, óleo de casca de limão) em posição compatível com traço ou arredondamento. Sem legibilidade própria, não viram nota.
- Cumarina — presente na lista, sem nenhuma listagem que a trate como nota. Função provável de arredondar a baunilha.
Sobre qual Black Opium esta página descreve. A Eau de Parfum original, de 2014. A linha tem muitas variações — Le Parfum, Extreme, Illicit Green, Neon, entre outras — com fichas próprias. Não são esta composição em outra concentração: são outros perfumes.
Pendência assumida: histórico de fórmula. A pirâmide que a casa divulga hoje difere da que circula desde o lançamento: pimenta rosa e alcaçuz saíram, tangerina verde, canela e ambrox entraram. A diferença pode ser de fórmula ou só de comunicação, e a casa não publica histórico de reformulação. Sem fonte que diga qual das duas, não afirmamos nenhuma.
Referência de estudo. Este guia não tem vínculo com as casas de perfume mencionadas.